ponto, afinal


Redenção

Egon  Schiele, “Embrace” (1917)

 

No corpo, a salvação. Não na máscara: no corpo. Não um corpo de palavras, mas pele, suor, sangue, bala de alto calibre nas veias, explosão da carne em movimento. Um gesto só em minha direção me basta. Apenas um gesto de um homem passional feito de gestos e não de palavras. Um homem que adivinhasse desejos e num único gesto de ousadia me despisse da pintura dos mil detalhes cotidianos. No amor não há salvação. Amor não cabe nesta minha existência precária de arrastar correntes invisíveis pelo concreto. A ausência breve da incerteza está na exigência crua do gesto, da mão, do beijo, dos corpos. Dura pouco e é tempo suficiente. O resto é poesia.

Texto: Lílian Honda



 Escrito por Lílian Honda às 17h44
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O gato

No olhar do gato, meu dia volta à concha. Estreitos céu e leito de nácar, estojo para as cores das tempestades de dentro. Felino olhar, presciência verde que embala na manhã minhas desvalidas pérolas.

Texto: Lílian Honda
Foto: álbum de "família"



 Escrito por Lílian Honda às 17h28
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Um diário inconstante de minha ternura pelas impossibilidades.

Todos os textos publicados neste blog são de autoria de Lilian Honda, exceto quando indicado o contrário (e, nesses casos, serão dados os devidos créditos ao autor).

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